A Prefeitura de São Bernardo do Campo, por intermédio de uma ação conjunta entre a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal e a Secretaria de Educação, determinou a ampliação do sistema de logística reversa de óleo de cozinha usado para 100% das unidades escolares da rede municipal de ensino. O anúncio oficial ocorreu no pátio da EMEB Cora Coralina, localizada no Parque Selecta, com a presença do prefeito Marcelo Lima e do representante legal do Instituto Viva Terra, Eduardo Maki. A solenidade marcou a repactuação do acordo de cooperação técnica, instrumento jurídico vigente desde 2012 e renovado bienalmente, que ganha novos contornos econômicos e operacionais para o período de 2026-2028.
Matriz de Economia Circular e Eficiência Orçamentária
O diferencial do novo termo aditivo reside na estruturação de um modelo de permuta sustentável baseado no conceito de economia circular. Em edições anteriores do convênio, os cidadãos que depositavam o óleo nos postos recebiam barras de sabão artesanal de forma individualizada. Com a nova formatação institucional:
- Escalabilidade da Coleta: A prefeitura assume o compromisso de unificar todas as secretarias municipais, diretores de escola, docentes e associações de pais para maximizar o volume de óleo vegetal recolhido em garrafas PET;
- Conversão em Insumos: O Instituto Viva Terra responsabiliza-se pelas etapas de coleta, acondicionamento seguro, transporte industrial e processamento químico do resíduo, transformando o óleo em detergentes líquidos, sabão em pedra, sabão em pó e higienizadores de piso;
- Logística Reversa e Economia: 100% do material de limpeza gerado a partir do óleo coletado será devolvido à administração pública para suprir a demanda de zeladoria das repartições e escolas. A economia gerada na rubrica de compras de saneantes será integralmente remanejada para o custeio e investimentos da Secretaria de Educação.
Passivo Ambiental e Impactos Ecológicos do Resíduo
A ampliação da rede de ecopontos escolares ataca diretamente um dos passivos ambientais mais severos do saneamento urbano. Dados técnicos compilados pelo setor de engenharia sanitária do município demonstram que o descarte incorreto de apenas um litro de óleo vegetal usado possui a capacidade físico-química de contaminar até 25 mil litros de água potável. Por não ser solúvel, a substância cria uma película impermeabilizadora na superfície de rios e córregos, bloqueando a penetração de luz solar, reduzindo drasticamente os níveis de oxigênio dissolvido e provocando a mortandade em massa da fauna e flora aquáticas.
Ademais, o descarte na rede de esgoto residencial gera a incrustação das tubulações devido à saponificação da gordura, provocando refluxos nas vias públicas, entupimentos e sobrecarga nas estações de tratamento. Sob a perspectiva das mudanças climáticas, o representante do Instituto Viva Terra, Eduardo Maki, alertou para o fato de que cada litro de óleo lançado nos ralos gera o desprendimento de até três quilos de dióxido de carbono ($CO_2$) na atmosfera. “Acredito que a gente vai ter primeiro um ganho ambiental muito grande e também um ganho importante no enfrentamento às mudanças climáticas. Vamos também reciclar o plástico das embalagens e focar na educação ambiental para as crianças”, pontuou Maki.
Mobilização Social e Indicadores Recentes
O secretário de Meio Ambiente, Ronaldo Perrucci, enfatizou a importância do engajamento intersetorial para consolidar São Bernardo como referência em sustentabilidade no Estado. Nos últimos 12 meses, a infraestrutura já existente no município — que engloba postos em unidades de saúde, lanchonetes, restaurantes e bares — logrou êxito na captação de 51 mil litros de óleo. Com a inserção de todas as escolas municipais, a meta da administração é dobrar esse indicador no próximo biênio. A Secretaria de Educação convocará, nos próximos dias, uma assembleia com os gestores escolares para alinhar as rotinas de recebimento do material e o cronograma de oficinas pedagógicas sobre reciclagem e preservação hídrica.
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Fonte: Prefeitura de São Bernardo do Campo
Foto: Johnn Menezes/PMSBC
